É claramente um retrato da crise dos 30 anos de idade: uma personagem que não consegue encontrar um rumo para a própria vida e se questiona sobre as decisões tomadas ao longo dela. A apresentação da personagem se resume a isso: sua vida não parecia fazer muito sentido quando era mais nova, porém ela não se importava tanto. Vivia da maneira que queria e agia de forma tímida e questionável em vários campos da sua vida, seja com os amigos de Aksel ou até mesmo com o próprio pai.
Aksel é um pilar importante nessa história. Ele representa uma pessoa decidida, segura e que sabe o que quer. Porém, por ser bem mais velho que Julie, a diferença de pensamentos e ideias é perceptível entre os dois, seja na maneira de falar, interagir ou até mesmo dançar. Fica nítido como o gosto musical dela é um pouco mais atual e jovem.
Julie representa a maioria das pessoas que estão entre os 29 e os 30 anos. E tudo muda quando ela conhece Eivind, alguém que compartilha de muitas das suas ideias e não possui grandes ambições. Uma pessoa doce e compreensiva, que a faz sentir-se segura mesmo diante das dúvidas sobre o que realmente deseja da vida. A química dos dois é pulsante e exala um romance muito bem construído. Tudo isso acontece a partir do momento em que ela decide fazer as coisas de maneira diferente, possivelmente tornando-se a “Pior Pessoa do Mundo”, buscando os próprios interesses e aquilo que realmente a agrada.
É uma forma de o filme contar uma história talvez já saturada, mas com uma personalidade muito forte em seu roteiro. Quando Julie congela o tempo, cria-se um dos momentos mais marcantes do filme, acrescentando uma camada ainda mais interessante a uma personagem que já possuía bastante profundidade.
É interessante sempre lembrar que nossas escolhas terão consequências no futuro, sejam elas positivas ou negativas. O filme retrata isso da melhor maneira possível, sem fazer com que Julie se crucifique por não se compreender completamente, mas lembrando que ela é imperfeita, assim como todos nós. Ao meu ver, ela age de acordo com a própria vontade, buscando a sua felicidade.
Uma brincadeira interessante do roteiro é que ela, enquanto estudante de psicologia, não consegue lidar com dúvidas relacionadas à família, à carreira e aos relacionamentos. A direção trabalha isso muito bem, utilizando cores naturais para dialogar com os sentimentos da personagem. O filme tem personalidade, uma bela paleta de cores e músicas que combinam perfeitamente com o tom proposto, resultando em um verdadeiro deleite visual.


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