Assistir isso aqui no cinema em 2022 foi uma das melhores experiências cinematográficas que eu presenciei. Estávamos precisando de filmes como esse naquela época. Depois de um bom tempo fora do cinema, The Batman foi um respiro, trazendo o povo de volta ao cinema em um ano caótico e que necessitava de grandes produções focadas em qualidade, traz mais um personagem complexo e que é fácil de se identificar. A pandemia fez muitas pessoas refletirem sobre a sua condição psicológica e o que era feito de importante nesse período.
Um filme do Batman que finalmente apresentou a verdadeira essência dele, considerado o maior detetive de todos os tempos, nada mais justo do que dar um filme para trabalhar esse lado tão importante dele. É uma das coisas mais legais da história, na pegada meio Seven, Matt Reeves bebe dessa fonte em várias cenas. Reeves equilibra bem cenas de investigação e sequências de ação bem trabalhadas.
Além disso, nos traz uma Gotham muito mais interessante e característica do que em outras adaptações. Uma Gotham suja, gótica e ao mesmo tempo noir, ambientada da maneira certa. Ela é viva e influencia diretamente na história, assim como deve ser.
Talvez seja o Batman que eu mais gostei nos cinemas, ele é inexperiente, vida louca e agressivo. E a abordagem mais sombria na sua psique faz total sentido, com o tempo teremos um Bruce diferente em possíveis outras sequências. Selina e Gordon são peças-chave e levantam o filme, dando dinamismo e boas cenas de diálogos e ação.
O Charada não é um vilão físico e cumpre bem o seu objetivo, que é tentar perturbar a cabeça do Batman, baita vilão.
Tem boas decisões criativas, referências a outros filmes e detalhes que você descobre com o tempo. O debate e o roteiro são coesos.
E é muito bem filmado, takes bonitos, câmeras bem posicionadas. É interessante a forma como Reeves usa a luz e a sombra ao seu favor. É perceptível que Bruce é um personagem pouco iluminado no filme, muito por causa do seu passado sombrio e seus pensamentos conflituosos, até porque, o Batman aqui não surgiu de uma vontade de justiça, e sim de vingança.
A evolução do personagem no final do filme é nítida e vem junto com um dos melhores monólogos que eu vi. Percebemos Gotham e o Batman renascendo, em vários sentidos, nesse momento a fotografia de Greig Fraser tem impacto e peso, trazendo luz e ângulos que retratam o Batman como uma figura de esperança.
E a trilha do Michael Giacchino é imponente e muito marcante. Tem uma pegada meio Darth Vader e lembra muito a cena do corredor de Rogue One. Casa com o momento e tem várias camadas, transmitindo esperança e medo. Enfim, é o que o Batman transmite.
10/10!!!


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