Qual é o seu limite de amor incondicional?

Em The Drama, fui sem nenhuma expectativa e voltei transformado. Quanto mais o tema central do filme se intensifica, mais difícil fica respirar. Ele realmente testa até que ponto você conseguiria amar uma pessoa considerada “problemática”. A graça do filme está justamente em assisti-lo sem saber muita coisa, permitindo que ele revele seus temas centrais aos poucos. E isso é algo que a direção faz muito bem, usando a câmera a seu favor e, principalmente, a trilha sonora.

O mais legal é ver os atores se afastando daquela figura do bom moço, adaptando-se a papéis diferentes e ousando em suas interpretações. Robert Pattinson segue consolidando uma carreira marcada por escolhas ousadas, afastando-se cada vez mais da imagem de galã convencional. Aqui, mais uma vez, entrega uma interpretação que desafia expectativas.

Não imaginava que o filme ofereceria tanto material para reflexão. É uma obra simples, mas que traz camadas aos seus personagens de maneira muito engenhosa e espontânea, sem grandes floreios e com uma história que toca em feridas de forma assertiva. O trauma da personagem de Zendaya é algo com o qual muita gente provavelmente já se identificou, e a atitude que ela considera tomar é desumana e, ao mesmo tempo, compreensível. O filme mostra como os traumas e inseguranças podem atravessar diferentes fases da vida. A adolescência fica para trás, mas certos medos, julgamentos e comportamentos continuam presentes na vida adulta, apenas assumindo novas formas.

A figura interpretada por Pattinson é, de certa forma, o centro de tudo isso. Ele funciona como a principal porta de entrada para o espectador enxergar essa discussão. A primeira reação é julgar, sem necessariamente se colocar no lugar do outro. Logo depois vem o medo, a tendência a reagir impulsivamente às atitudes da personagem de Zendaya. E, por fim, surge o perdão. Mesmo sem ser nenhum santo, ele passa por algo capaz de abalar sua estrutura emocional e fazê-lo refletir sobre o caminho que realmente deseja seguir.

É um filme que se propõe a ser muitas coisas. Em um momento é comédia; em outro, romance. Além disso, explora muito bem as dificuldades de um casamento que sequer chegou a se concretizar. Nos momentos finais, assume contornos de um novelão envolvente e apresenta uma movimentação de câmera bastante dinâmica, focando nos diversos personagens presentes e em suas reações.

O cinema precisa de mais temas “problemáticos”, capazes de trazer profundidade aos personagens. Principalmente porque personagens assim são menos frequentes nas produções de grande alcance. Esse tipo de personagem é necessário porque provoca o espectador, permanece em sua mente e o faz refletir por dias, semanas ou até meses. Um filme cresce quando continua vivo em nossos pensamentos muito tempo depois dos créditos finais. Isso apenas demonstra o trabalho de roteiristas talentosos em uma época cada vez mais marcada por narrativas seguras e previsíveis.

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